sábado, 9 de maio de 2009
Problemas da nossa geração vol.1
A humildade é dos valores mais importantes que devemos ter , mas que grande parte não tem. Isto comprova-se com um exemplo muito simples , a necessidade de compararmos aspectos do nosso ser com os de outros normalmente para sobressairmos.
Eu penso que a falta de humildades pode ter vários motivos , sejam eles o facto de virmos de uma família ou zona problemática e nos tarmos a safar bem na vida (se bem que um passado difícil só nos devia tornar mais humildes) , seja o facto de virmos de uma família ou de um meio rico em que estamos habituados a desde pequeno ter mais que alguns do nossos amigos e mais do que a maioria das pessoas da nossa idade , ou até pelo facto (e este é grave) de vermos a humildade como uma fraqueza de carácter na medida em que pensamos que por fulano tal não querer ter isto ou aquilo , ou pelo menos dizer qu tem faz dele um tipo pouco ambicioso e "xoninhas" , podemos ainda ter a falta desta virtude por não termos um exemplo que a tenha , ou simplesmente porque gostamos de nos gabar e ser idiotas ; mas penso que talvez o maior motivo seja uma necessidade de afirmação social que lá no fundo todos acabamos por ter mas cada um faz as suas escolhas umas mais certas outras nem tanto...
Eu deparo-me todos os dias com esta falta de senso quando oiço comentários do género " ah eu comi não sei quantas gajas hoje , eu bebi 1000 litros de álcool hoje , eu passo 20 horas semanais no ginásio e tou todo dopado com MegaMass e tou a levantar 100kg com a pila , eu tenho um telefone do caralho que é a cores e tira cafés , etc.". Sinceramente eu não percebo como é que beber muito ou ter um ganda telefone ou beijar não sei quantas gajas (que nem sabemos o nome e secalhar lá pelo meio uma delas tinha pila) é motivo de orgulho , eu acho que não há nada de mal em gostar de ter coisas boas e acho que se temos possibilidades para tê-las tudo bem , mas sinto que a grande maioria das pessoas da minha idade e não só têm uma necessidade enorme de dizer que têm , de dizer que fazem e acontecem ; mas epá para esse género de gajos só tenho uma palavra: Parabéns! És um ganda campeão , quando for grande quero ser como tu.
Deixo aqui um apelo a quem ler isto para tentarem serem um bocado mais sério e para perceberam que só porque são todos xpto's isso não faz de voçês melhores pessoas do que alguém que não é como tu.
terça-feira, 5 de maio de 2009
O porquê de sermos assim.

Eis-me regressado de uma viagem de 4 dias por uma cidade a 2 horas de voo, mas a séculos de distância.
Enquanto estive fora, numa cidade completamente oposta aLisboa, em forma e em comportamento, fiz por reparar nas diferenças entre nós e eles, para tentar compreender o porquê de sermos assim.
As razões do presente estão no passado, pensei no facto e descobrique e as nossas se situam em três datas fatídicas, cujo seu efeito abalou o nosso destino para sempre: 1545 (Concílio de Trento); 1945 (Fim da II Guerra Mundial); 1975 (PREC).
A verdade é que vimos a perder o comboio do desenvolvimento desde o séc XVI, somos um país marcado por desgraças e por erros que nos mancharam o futuro.
Como disse tudo se iniciou naquela época de descobrimentos e de humanismo, ideias novas, renascimento, onde o protestantismo nascia pelo resto da Europa, liderado pelos países do Norte que se mostravam descontentes com os caminhos tomados pela Santa Sé. Nessa data fatídica de 1545 o Papa Paulo III, assustado com os rumos que a fé tomava decidiu convocar todos os cardeais do Mundo conhecido para instaurar uma espécie de Baillout, um plano para salvar uma empresa como Roma que se encaminhava a passos largos para a falência. E foi aí que a Europa se partiu em duas e nós infelizmente ficámos na pior metade.
Nascia assim a contra-reforma com todas as suas implicações, começavam os autos-de-fé, os julgamentos baseados na tortura e as confissões forçadas, tudo motivado por uma espécie de superioridade moral. Mas o que mais prejudicou Portugal nem foram essas demonstrações da barbárie humana mas sim o acto como todo o processo começava: pela simples denúncia não provada.
Isto incutiu a nossa pior qualidade no adn-social do país, o provincianismo levado ao extremo de Eça, a coscuvilhice das porteiras, os boatos actuais dos jovens.
(A falta de privacidade é hoje uma realidade, aliás algo com que nos habituámos a viver, não quero dizer que isto seja mau, simplesmente é, agora as suas implicações a nível económico e quanto ao nível de vida é que são desastrosas).
Depois veio a decadência nacional com a questão do ultimato, a vergonha de um país rebaixado perante o gigante inglês, mostrou muita da nossa génese e falta de garra. Nada disso viria a ser solucionado com Salazar, que indiscutivelmente, não teve um mau papel no pré e durante II Guerra Mundial, mas que não soube quando parar, deixando a oportunidade de 45' e a queda de muitos regimes autoritários, debaixo da hegemonia americana e da bandeira da liberdade, prendendo o país por mais 25 anos (+4 de Marcello) que em nada fizeram sentido.
Quando todo o Mundo girava em torno da III Revolução Industrial e percebia-mos que afinal o capitalismo era uma realidade e que 29' não tinha passado de um rebound (nada que nem de perto nem de longe apagasse aquele século e meio de Adam Smith.. aliás faz-me lembrar outra data) , Portugal perdeu mais uma vez a carruagem, (nem concretizando a sua primeira revolução quando o Mundo já navegava na terceira) e nos reduzimos à pior situação possível: viver a sós.
Pronto, lá veio aquela madrugada de 25 de Abril de 1974, Salgueiro Maia e a sua pandilha (sublinho que tenho a maior das considerações pelo capitão ao contrário do cabrão e assassino do Otelo), um dia lindo cheio de cravos no chão. Mas o pior estava para vir.
Este país é bipolar, tanto ama como odeia, tanto grita como se cala, e foi isso que aconteceu, voámos de um regime autoritário de direita para um domínio da esquerda marxista sob o comando de Moscovo vendo em nós e no seu menino bonito (o Álvaro) um país geograficamente estratégico para a continuação da carta de Varsóvia.
Aqui começou a festa: nacionalizações; manifestações dos padeiros, pedreiros, leiteiros, carteiros, cantoneiros, sapateiros, ferreiros e todos os eiros, ninguém trabalha, tudo caça capitalistas e fica a ideia de que tudo é de todos, (o Marx é que tinha razão e toda a riqueza não passa de sorte, roubo ou herança: de alguém que praticou as duas primeiras).
Veio a CEE, sem dúvida a nossa grande ajuda de hoje, mas pouco mudou, e em cada factor e relatório económico vimos sempre ajudados pelo carro-vassoura.
Agora já estou como o Presidente Mexicano, QUE MAIS NOS PODERIA ACONTECER?!
Ficou-nos a equação: tivemos a contra-reforma, tivemos uma monarquia cobarde que criou a relação mais estranha com as colónias (não as desenvolvendo, não fomentando o comércio não as explorando), uma ditadura de direita parva e sem sentido e um PREC nojento. Tudo isto foi igual a:
Provincianismo
Falta de respeito pelo factor trabalho
Enveja
Intervenção estatal na Economia
Proletarização da sociedade
Políticas fiscais injustas
Combate à riqueza
Agora, bem podemos chorar.
Nota:
Os portugueses têm de entender que só há uma solução na vida, o trabalho, o esforço, o valor acrescentado, a riqueza de cada indivíduo que nos levará a riqueza colectiva.
Tudo começa na produção, no que damos de nós a cada bem, passa pelo que recebemos dos outros mas também no que distribuímos ao bolo do estado (este irá ajudar quem mais precise).
Esse dinheiro que "nasce" e escorre pelas nossas mãos vai ser usado em bilhetes de teatro, livros, cinemas promovendo a cultura, mas também pagará os médicos que ajudarão os doentes, nunca deixaram um pobre sem emprego porque a sociedade de tudo produz e consome e aí os criminosos não terão necessidade de existir.
Esta é a fórmula da felicidade.
Ao contrário da esquerda radical, a riqueza não pode ser inventada, não se podem distribuir notas às pessoas como no Zimbabwe porque aí haverá inflação mas também não se tirará aos ricos como na URSS porque aí deixarão de haver ricos porque ninguém está para sustentar os outros.
Eu seria de esquerda se a actual esquerda fosse sinal de liberdade e justiça mas não é, a esquerda quer impor que os mais capazes sustentem os outros, quer impor que ninguém tenha a liberdade de ser rico porque existem pobres. Isto não é liberdade, é opressão e inveja de quem não consegue apanhar os outros e prefere ser como a mulher da história de Salomão (escolhe não ter filho porque a outra não terá).
O fascinante é que isto em Portugal prolifera e porquê? 1545, 1945 e 1975.
Apenas terminando, se eu pudesse um dia reportar-vos o video que tenho dentro da minha cabeça isso seria a conjugação de tudo o que penso sobre Portugal e o Mundo:
-Miami, 2005, a cidade está infestada de riqueza e numa esquina prega um homem com um cartaz às costas dizendo: A América é uma capitalista pecadora e cheia de luxúria! Neste momento passa um belo Hummer quando o Santo grita "Hey, Sinner!" De dentro daqueles vidros fumados apenas saí uma mão com um dedo no ar. A cidade permanece ao seu ritmo, o maluco ainda grita, mas ninguém lhe dará alguma vez ouvidos. Ele prossegue mais uma vez sozinho na sua razão.
Quatro anos passaram e este fim-de-semana voltei a ver "esse mesmo homem": desta vez estava no metro pregando a lenga-lenga de sempre, quando por ele passavam Árabes e as suas pulseiras de diamante, caminhando em harmonia com Judeus e as suas tranças, aliados a Indianos ou Russos com os seus Blackberrys. Também havia “sinners!” mas obviamente a cena repetiu-se: Londres permaneceu ao seu ritmo, o maluco ainda gritou, mas ninguém alguma vez lhe deu ouvidos.
Mas porque somos assim? Porque o "esse mesmo homem" emigrou para Portugal e hoje domina 12% do nosso eleitorado.
Estou aqui Martinho, sou eu: o capitalismo. E nunca te deixarei ficar mal.
Influenza A H1N1
Mas mesmo assim como explicar este pânico todo? Será o vírus assim tão alarmantemente perigoso?
Bem, para explicar o perigo deste vírus eu (infelizmente) tenho que dar uma breve noção cientifica sobre ele, para o caso de as pessoas não estarem na mesma área de estudos que eu.
Primeiro que tudo é importante definir que um vírus, ao contrário do que muitos pensam, não é um ser vivo, viaja ao sabor da corrente (sanguínea no caso deste), não tem metabolismo celular (que e o que define vida, e para o caso não interessa ser definido), basicamente é uma cápsula que contem ADN.
O que torna um vírus perigoso então, não é a capacidade do vírus matar (directamente) outras células. Os vírus pelo contrário estimulam alguns processos celulares.
Os vírus actuam da seguinte forma: Juntam-se a qualquer célula do nosso organismo (vírus específicos e tipos de células específicos, neste caso, células respiratórias), injectam o seu ADN na célula, e "obrigam-na" a fazer cópias deste vírus, gastando dos seus próprios recursos e acabado assim por morrer. Isto no nosso organismo significa que nós começamos a morrer...
É perigoso, mas nós temos dentro de nós um tipo de células brilhante, células do sistema imunitário (S.I.), por isso o vírus da SIDA ser tão perigoso, porque ataca estas mesmas células. Estas células reconhecem os vírus, através de indicadores diferentes que todos os vírus têm na sua cápsula, vamos imaginar que é pela sua forma, uns são cúbicos outros redondos e outros tetraédricos. Cada vez que um vírus ataca, e nós respondemos a este ataque, são enviados os "batedores" do S.I, que reconhecem o vírus, após reconhecido, o S.I. cria todo o tipo de células que literalmente engolem estes vírus e posteriormente se destroem (apoptose). Após um destes tipos ser seleccionado como o mais eficaz, e ter destruído o vírus ficamos com memoria deste vírus para sempre, e sempre que ele voltar, já tem uma resposta muito mais rápida do S.I. pois não é preciso descobrir quais as células do S.I. a mandar, já temos essa informação na nossa memoria.
Assim qual o problema desta gripe (sim porque este vírus não passa duma gripe)? Todos nós tivemos gripe na nossa vida, devíamos reconhecer e eliminar rapidamente o vírus. O problema é que o Influenzavirus sofre muitas mutações, o que significa que num ano temos uma estirpe de "tetraedros" noutro, uma de "cubos".
Assim a resposta do nosso sistema é muito mais lenta, e muitas vezes não chega a ser rápida o suficiente.
E as vacinas? Há vacinas para as outras gripes, porque não há para esta também? Ou mesmo um antibiótico?
Começando pelo fim, os antibióticos, como o nome indica, são anti bios, anti vida, matam seres vivos, têm um funcionamento diferente das vacinas e das células do S.I. que falei acima, assim, e como os vírus não são vivos, não funcionam.
Já as vacinas por outro lado funcionam, mas a da gripe humana comum não é eficaz, a da gripe suína usada em porcos não pode ser usada em humanos, e por alguns motivos que aqui mencionei, e ainda outros que seria dificílimo de explicar para leigos na matéria (não que eu seja um especialista, tenho apenas as bases necessárias para entender isto) as novas vacinas demoram tempo a ser criadas, e as mutações dos vírus são quase constantes. O objectivo destas é que quando usadas, permitam uma defesa rápida por parte do organismo e não só para uma estirpe do vírus mas para muitas.
Como disse, Karl Nicholson, da Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha, "se o vírus evoluir para uma pandemia, a primeira onda vai chegar e irá embora antes que uma vacina tenha sido produzida."
Assim percebemos o porque de tanto alarme. Primeiro e um vírus tão contagioso como a gripe comum (entre humanos). Em segundo não se conhece ainda uma vacina. Embora existam antivirais que podem ser usados se a doença for descoberta a tempo. Os sintomas da doença são febre repentina, fadiga, dores pelo corpo, tosse, e esta nova estirpe que tanto nos preocupa (ou não), também causa diarreia e vómitos.
No entanto, esta gripe não é um monstro de sete cabeças, que gera duas quando uma é cortada. Tomando as precauções necessárias estamos todos sãos e salvos.
Assim vou-vos dizer como (não) se propaga a gripe, e como evita-lo. A contaminação dá-se de maneira igual a gripe comum (evitem dar beijinhos a pessoas com gripe). É só isto, a gripe não se propaga por carne de porco desde que cozinhada (a mais de 70ºC).
PS: Usei alguns eufemismos para explicar mais facilmente algumas coisas, desculpem-me se me excedi um bocadinho, desculpem também algum erro ortográfico.
domingo, 3 de maio de 2009
The Curious case of Conceição Lino

Nós por cá não vemos muita televisão e ultimamente temos escolhido particularmente não a ver às sete horas nos dias de semana na Sic isto porque a cadeia de televisão nacional decidiu oferecer, sem aviso, um programa a Conceição Lino.
No telejornal a peça jornalística “Nós por cá” era já pouco suportável, mas a verdade é que denunciava casos, alguns escandalosos que envergonhavam o pais e várias instituições. Uma vez por semana Conceição Lino mencionava casos que eram importante mencionar, com um tom estupidamente arrogante.
Face ao sucesso a Sic decidiu fazer “render o peixe” e passou de um segmento do telejornal de domingo com duração de 15 minutos para um programa diário de uma hora com Conceição Lino e mobiliário do ikea.
Acontece que eu adoro comer no Burger King e faço-o uma vez por semana, se tanto, se o fizesse todos os dias engordava, sujeitava-me a ter um ataque cardíaco, ficava com diabetes e provavelmente vomitava ao fim do terceiro dia, é precisamente o que vai acontecer a quem começar a ver esta dose absurda do programa “Nós por cá”. Acontece que Conceição Lina está a aprender da pior maneira que uma hora por dia não é assim tão fácil de preencher e as reportagens tem vindo a ser mais estúpidas de programa para programa.
Um dia ,desprevenido, apanhei este programa e como não via televisão estúpida há uma semana, porque a tvi esteve com problemas na minha televisão, decidi aproveitar o momento. Então o programa “Nós por cá” falava de uma estrada nacional que tinha várias estradas rurais que a intencionavam, sempre sem prioridade, onde estavam colocados sinais de “stop”. Eram cerca de 50 sinais de stop numa dimensão de 6 km, parece que cada custa à volta de 50 euros (o que perfaz um total gasto de 2500 euros). Provavelmente seria com estes números que o repórter tencionava chocar o espectador porque os restantes cinco minutos da reportagem eram entrevistas a pessoas que trabalham no campo com idade superior a 60 anos e que pouco ou nada tinham a dizer sobre o assunto.
Antes do fim da reportagem é entrevistado um instrutor de condução que indica que todos os sinais estão bem colocados e são necessários elogiando o trabalho da autarquia, ou seja, era absolutamente desnecessário esta reportagem pois nada se passava, Conceição Lino é alguém que criticará a autarquia por ter sinais a menos e por ter sinais a mais e até, quem diria, por ter o número de sinais obrigatórios pelo Código da estrada, só para conseguir preencher o seu programa de uma hora. O que vem a seguir? Uma reportagem sobre o tempo que o sinal vermelho dura na Avenida da república e o quanto isso prejudica as pessoas que estão a ir para o trabalho? (Eu calculei que a jornalista fosse adorar esta ideia, e qualquer outra que lhe ocupe tempo no programa, portanto fiz questão de a ir registar.)
O nosso país tem vários problemas e lacunas e é preciso tempo para resolvê-las, a pensão de invalidez da Tia Luísa vai chegar um dia, mesmo que seja uma espera escandalosa, irá ser resolvido e nós não estamos assim tão interessados em saber como se irá processar. O pais não aguenta a pressão Conceição Lino, o teu marido não faz um programa de uma hora diário sobre tu ressonares ou sobre o facto de cozinhares pessimamente, são erros que todos cometemos e que não expomos na televisão.
Conceição Lino, nós por cá temos José Sócrates e os Morangos com açúcar, portanto não precisamos de mais nada que envergonhe o pais, obrigado.
sábado, 2 de maio de 2009
Abril, a quanto obrigas...
Todos, respeitam a liberdade de "culto" a Salazar, inclusivamente o PCP. É uma lição de democracia, do espírito de Abril, que ( a nós democratas ) nos enche de orgulho. Tem um encanto especial para quem lutou contra a ditadura ( ou no meu caso vem de , uma família resistente ao Estado Novo ) por saber que Salazar onde quer que esteja, estará muito mais ofendido que qualquer capitão de Abril com a homenagem que lhe foi prestada no dia em caiu o regime que ele fundou quarenta anos antes.
Quem ainda não aprendeu a viver em democracia foi o PCP ( o que aliás não é surpresa, nem é isso tão pouco que procuram ideologicamente ). Ontem militantes do PCP deram um espectáculo deprimente, ao agredirem Vital Moreira na marcha do 1º de Maio. Entre insultos, garrafas de água lançadas e efectivo contacto físico violento, os comunistas mostram o seu elevado espírito democrático e de respeito pelo próximo.
Carvalho da Silva, líder da CGTP (esse órgão tão isento), recusou-se a pedir desculpa a Vital Moreira, e só faltou dizer que estava a pedi-las. Mais um bando de pessoas que ainda não aprendeu o que quer dizer liberdade e democracia. Mas eu entendo Carvalho da Silva, a agressão é uma forma de exercício do protesto como outra qualquer.
Pergunto-me onde estaria a Policia neste momento. Quem viu hoje o Diário de Noticias hoje sabe a resposta : atrás do grupo que agrediu Vital Moreira, em protesto. E como têm tanta obrigação de defender os cidadãos como qualquer outro nem se mexeram. Ser policia é um trabalho das 9 as 17 ? A mim não me parece. Das duas uma : ou acharam que estavam fora de serviço e nada devem a comunidade depois das 17 ou concordaram com Carvalho da Silva e acham que Vital Moreira estava a pedi-las.
O PCP tem que entender que não é dono dos seus militantes (muito menos dos ex-militantes) nem do 25 de Abril, tem que aprender a respeitar os socialistas como respeita os Salazaristas e tem que perceber que há formas de protesto que não são permitidas em liberdade (apesar de, como já disse, ser um ideal ao qual dão pouco valor na sua condição de Estalinistas).
E nós, os democratas, temos que aceitar tudo isto: Abril, a quanto obrigas...
Estás aí capitalismo? Sou eu, o Martinho.
Temos de ter consciência que foram homens, que foi um inteiro regime económico e um descontrolo total por parte de bancos e companhias de seguros que gerou esta crise, que criaram a frustração que hoje se vive. Há famílias que perderam as suas casa, milhões de pessoas que perderam o seu emprego e o seu sustento, que perderam uma maneira digna de viver, e que procuram furiosamente um culpado e uma maneira de pagar as contas no fim do mês.
Enquanto lia o Los Angeles Times online, vi um anúncio da marca de automóveis Hyundai, referente a stands na Califórnia, em que, ao comprar um carro o stand oferece algumas garantias ao comprador. Em caso de empréstimo o comprador, caso perca 40 por cento, ou mais, do seu rendimento de um mês para o outro pode não pagar a prestação do carro até 3 meses para se conseguir por de novo de “pé”, caso consiga, então a marca japonesa esquece o assunto e a prestação continua, caso não consiga tudo o que tem de fazer é devolver o carro ao stand, sem mais complicações ou dívidas.
Ora este não é o capitalismo que nós conhecemos, o capitalismo que nós conhecemos estimula-nos a pedir créditos sobre créditos à marca de automoveis para pagar as prestações e depois de termos pago o carro cinco vezes, só em juros, somos obrigados a devolvê-lo ao stand porque a três meses do fim do contrato deixaram de nos oferecer o crédito e nos pensamos que, se já temos duas úlceras no estômago, é altura de deixar de pagar o carro e passar a fazer mais do que uma refeição por semana.
O novo capitalismo castrado não nos vai fazer recuperar da crise económica enquanto o verdadeiro capitalismo fugiu com medo e vergonha.
Mas a verdade é que a campanha da Hyundai é uma forma interessante de estimular a compra, e até podemos encarar como forma da própria marca pedir desculpa pelo sucedido, eles sabem que estão envolvidos no capitalismo e que a crise afectou praticamente todos, isto é uma forma de se redimir. Esta proposta parece a melhor forma de comprar um carro actualmente, deveremos aceitar o perdão da economia? Como é que estamos sempre a desculpá-la?
No outro dia estava a andar na rua e vi um cartaz, “quatro iogurtes por 49 cêntimos”. Ou seja, uma mãe pode dar um lanche a um filho por menos de um euro. Um hambúrguer numa cadeia de fast food custa hoje um euro, e portanto um mendigo pode actualmente garantir a sua alimentação durante os seus tempos de crise por cerca de quatro euros por dia. Parece-me que é por estas razões que desculpamos o capitalismo, que sem querer ganha vertentes sociais.
Agora precisamos de esquecer o que se passou e voltar a lutar por uma economia forte e segura, portanto, volta capitalismo, estás perdoado.
