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domingo, 3 de maio de 2009

The Curious case of Conceição Lino


Nós por cá não vemos muita televisão e ultimamente temos escolhido particularmente não a ver às sete horas nos dias de semana na Sic isto porque a cadeia de televisão nacional decidiu oferecer, sem aviso, um programa a Conceição Lino.

No telejornal a peça jornalística “Nós por cá” era já pouco suportável, mas a verdade é que denunciava casos, alguns escandalosos que envergonhavam o pais e várias instituições. Uma vez por semana Conceição Lino mencionava casos que eram importante mencionar, com um tom estupidamente arrogante.

Face ao sucesso a Sic decidiu fazer “render o peixe” e passou de um segmento do telejornal de domingo com duração de 15 minutos para um programa diário de uma hora com Conceição Lino e mobiliário do ikea.

Acontece que eu adoro comer no Burger King e faço-o uma vez por semana, se tanto, se o fizesse todos os dias engordava, sujeitava-me a ter um ataque cardíaco, ficava com diabetes e provavelmente vomitava ao fim do terceiro dia, é precisamente o que vai acontecer a quem começar a ver esta dose absurda do programa “Nós por cá”. Acontece que Conceição Lina está a aprender da pior maneira que uma hora por dia não é assim tão fácil de preencher e as reportagens tem vindo a ser mais estúpidas de programa para programa.

Um dia ,desprevenido, apanhei este programa e como não via televisão estúpida há uma semana, porque a tvi esteve com problemas na minha televisão, decidi aproveitar o momento. Então o programa “Nós por cá” falava de uma estrada nacional que tinha várias estradas rurais que a intencionavam, sempre sem prioridade, onde estavam colocados sinais de “stop”. Eram cerca de 50 sinais de stop numa dimensão de 6 km, parece que cada custa à volta de 50 euros (o que perfaz um total gasto de 2500 euros). Provavelmente seria com estes números que o repórter tencionava chocar o espectador porque os restantes cinco minutos da reportagem eram entrevistas a pessoas que trabalham no campo com idade superior a 60 anos e que pouco ou nada tinham a dizer sobre o assunto.

Antes do fim da reportagem é entrevistado um instrutor de condução que indica que todos os sinais estão bem colocados e são necessários elogiando o trabalho da autarquia, ou seja, era absolutamente desnecessário esta reportagem pois nada se passava, Conceição Lino é alguém que criticará a autarquia por ter sinais a menos e por ter sinais a mais e até, quem diria, por ter o número de sinais obrigatórios pelo Código da estrada, só para conseguir preencher o seu programa de uma hora. O que vem a seguir? Uma reportagem sobre o tempo que o sinal vermelho dura na Avenida da república e o quanto isso prejudica as pessoas que estão a ir para o trabalho? (Eu calculei que a jornalista fosse adorar esta ideia, e qualquer outra que lhe ocupe tempo no programa, portanto fiz questão de a ir registar.)

O nosso país tem vários problemas e lacunas e é preciso tempo para resolvê-las, a pensão de invalidez da Tia Luísa vai chegar um dia, mesmo que seja uma espera escandalosa, irá ser resolvido e nós não estamos assim tão interessados em saber como se irá processar. O pais não aguenta a pressão Conceição Lino, o teu marido não faz um programa de uma hora diário sobre tu ressonares ou sobre o facto de cozinhares pessimamente, são erros que todos cometemos e que não expomos na televisão.

Conceição Lino, nós por cá temos José Sócrates e os Morangos com açúcar, portanto não precisamos de mais nada que envergonhe o pais, obrigado.

sábado, 2 de maio de 2009

Estás aí capitalismo? Sou eu, o Martinho.

A crise veio para ficar, e isso não quer dizer que se ficarmos fechados em casa com uma dispensa cheia de mantimentos ela vai passar mais rápido. Já é altura de isso se tornar claro para todos. Há na verdade um culpado na crise, e tem sido altamente criticado, Wall street foi a principal culpada deste desastre económico que tem gerado desespero e miséria pelo mundo, mas a verdade é que é altura de deixarmos de fazer metáforas e de culpar, literalmente, uma rua em Nova Iorque.

Temos de ter consciência que foram homens, que foi um inteiro regime económico e um descontrolo total por parte de bancos e companhias de seguros que gerou esta crise, que criaram a frustração que hoje se vive. Há famílias que perderam as suas casa, milhões de pessoas que perderam o seu emprego e o seu sustento, que perderam uma maneira digna de viver, e que procuram furiosamente um culpado e uma maneira de pagar as contas no fim do mês.

Enquanto lia o Los Angeles Times online, vi um anúncio da marca de automóveis Hyundai, referente a stands na Califórnia, em que, ao comprar um carro o stand oferece algumas garantias ao comprador. Em caso de empréstimo o comprador, caso perca 40 por cento, ou mais, do seu rendimento de um mês para o outro pode não pagar a prestação do carro até 3 meses para se conseguir por de novo de “pé”, caso consiga, então a marca japonesa esquece o assunto e a prestação continua, caso não consiga tudo o que tem de fazer é devolver o carro ao stand, sem mais complicações ou dívidas.

Ora este não é o capitalismo que nós conhecemos, o capitalismo que nós conhecemos estimula-nos a pedir créditos sobre créditos à marca de automoveis para pagar as prestações e depois de termos pago o carro cinco vezes, só em juros, somos obrigados a devolvê-lo ao stand porque a três meses do fim do contrato deixaram de nos oferecer o crédito e nos pensamos que, se já temos duas úlceras no estômago, é altura de deixar de pagar o carro e passar a fazer mais do que uma refeição por semana.

O novo capitalismo castrado não nos vai fazer recuperar da crise económica enquanto o verdadeiro capitalismo fugiu com medo e vergonha.
Mas a verdade é que a campanha da Hyundai é uma forma interessante de estimular a compra, e até podemos encarar como forma da própria marca pedir desculpa pelo sucedido, eles sabem que estão envolvidos no capitalismo e que a crise afectou praticamente todos, isto é uma forma de se redimir. Esta proposta parece a melhor forma de comprar um carro actualmente, deveremos aceitar o perdão da economia? Como é que estamos sempre a desculpá-la?

No outro dia estava a andar na rua e vi um cartaz, “quatro iogurtes por 49 cêntimos”. Ou seja, uma mãe pode dar um lanche a um filho por menos de um euro. Um hambúrguer numa cadeia de fast food custa hoje um euro, e portanto um mendigo pode actualmente garantir a sua alimentação durante os seus tempos de crise por cerca de quatro euros por dia. Parece-me que é por estas razões que desculpamos o capitalismo, que sem querer ganha vertentes sociais.

Agora precisamos de esquecer o que se passou e voltar a lutar por uma economia forte e segura, portanto, volta capitalismo, estás perdoado.