
Nós por cá não vemos muita televisão e ultimamente temos escolhido particularmente não a ver às sete horas nos dias de semana na Sic isto porque a cadeia de televisão nacional decidiu oferecer, sem aviso, um programa a Conceição Lino.
No telejornal a peça jornalística “Nós por cá” era já pouco suportável, mas a verdade é que denunciava casos, alguns escandalosos que envergonhavam o pais e várias instituições. Uma vez por semana Conceição Lino mencionava casos que eram importante mencionar, com um tom estupidamente arrogante.
Face ao sucesso a Sic decidiu fazer “render o peixe” e passou de um segmento do telejornal de domingo com duração de 15 minutos para um programa diário de uma hora com Conceição Lino e mobiliário do ikea.
Acontece que eu adoro comer no Burger King e faço-o uma vez por semana, se tanto, se o fizesse todos os dias engordava, sujeitava-me a ter um ataque cardíaco, ficava com diabetes e provavelmente vomitava ao fim do terceiro dia, é precisamente o que vai acontecer a quem começar a ver esta dose absurda do programa “Nós por cá”. Acontece que Conceição Lina está a aprender da pior maneira que uma hora por dia não é assim tão fácil de preencher e as reportagens tem vindo a ser mais estúpidas de programa para programa.
Um dia ,desprevenido, apanhei este programa e como não via televisão estúpida há uma semana, porque a tvi esteve com problemas na minha televisão, decidi aproveitar o momento. Então o programa “Nós por cá” falava de uma estrada nacional que tinha várias estradas rurais que a intencionavam, sempre sem prioridade, onde estavam colocados sinais de “stop”. Eram cerca de 50 sinais de stop numa dimensão de 6 km, parece que cada custa à volta de 50 euros (o que perfaz um total gasto de 2500 euros). Provavelmente seria com estes números que o repórter tencionava chocar o espectador porque os restantes cinco minutos da reportagem eram entrevistas a pessoas que trabalham no campo com idade superior a 60 anos e que pouco ou nada tinham a dizer sobre o assunto.
Antes do fim da reportagem é entrevistado um instrutor de condução que indica que todos os sinais estão bem colocados e são necessários elogiando o trabalho da autarquia, ou seja, era absolutamente desnecessário esta reportagem pois nada se passava, Conceição Lino é alguém que criticará a autarquia por ter sinais a menos e por ter sinais a mais e até, quem diria, por ter o número de sinais obrigatórios pelo Código da estrada, só para conseguir preencher o seu programa de uma hora. O que vem a seguir? Uma reportagem sobre o tempo que o sinal vermelho dura na Avenida da república e o quanto isso prejudica as pessoas que estão a ir para o trabalho? (Eu calculei que a jornalista fosse adorar esta ideia, e qualquer outra que lhe ocupe tempo no programa, portanto fiz questão de a ir registar.)
O nosso país tem vários problemas e lacunas e é preciso tempo para resolvê-las, a pensão de invalidez da Tia Luísa vai chegar um dia, mesmo que seja uma espera escandalosa, irá ser resolvido e nós não estamos assim tão interessados em saber como se irá processar. O pais não aguenta a pressão Conceição Lino, o teu marido não faz um programa de uma hora diário sobre tu ressonares ou sobre o facto de cozinhares pessimamente, são erros que todos cometemos e que não expomos na televisão.
Conceição Lino, nós por cá temos José Sócrates e os Morangos com açúcar, portanto não precisamos de mais nada que envergonhe o pais, obrigado.
